Cefaleia tensional é definida por uma dor geralmente difusa, de leve a moderada intensidade, descrita como uma faixa apertada em torno da cabeça.  Sua prevalência anual é estimada, de acordo com diferentes autores, em 30%, podendo chegar a 80% em algumas casuísticas. Predomina no sexo feminino, porém de forma menos nítida do que a migrânea (enxaqueca). O início habitual situa-se entre os 20 e os 40 anos.

O quadro clínico é caracterizado por dor, sensação de tensão ou pressão na nuca e abrange também a parte posterior e lateral da cabeça. Existem duas principais categorias, episódica e crônica.  A episódica, que aparece por uns dias e passa , é uma das mais frequentes dores de cabeça.  A crônica é aquela dor de quase todos os dias, que piora a tarde mas a pessoa continua suas atividades porque não é tão intensa e é bastante relacionada a problemas emocionais como o estresse.

A fisiopatologia permanece controversa, pois a maioria dos autores sempre acreditou que a dor era causada por contraturas dos músculos da face e pescoço. Porém, atualmente, a maioria assume que uma sensibilidade alterada à dor seria a causa, ou seja, o cérebro dos pacientes com cefaleia tensional receberia os impulsos táteis da cabeça de uma forma diferente das outras pessoas e que se expressa como  dor. No fim, a fisiopatologia deve ser entendida como a soma de vários fatores interligados para gerar a dor.

Em relação ao tratamento, existe a linha mais tradicional que aborda os transtornos do humor e procura evitar o abuso de analgésicos comuns nestes pacientes.  Algumas estratégias de tratamento não farmacológico mais novos, como biofeedback  (controlar as respostas do organismo, diminuindo assim os níveis de dor), terapia cognitivo-comportamental  e técnicas de relaxamento, como Yoga e alongamentos, podem ser úteis e tem nível de evidência de efetividade.  É importante também acrescentar e reforçar a prática de atividades físicas, cessação do tabagismo, melhora na qualidade do sono, melhora da alimentação e aumento na ingestão de água.

Por Dr. Paulo Phelipe Barbosa Monteiro, neurologista do ING, CRM 16094.