O chamado “coma induzido” não passa de sedação farmacológica profunda, uma inconsciência provocada pela equipe médica através de drogas sedativas. Apesar do termo “coma induzido” ser ainda amplamente usado, tanto pela população em geral como no meio médico, o termo coma reservamos apenas para os casos de redução do nível de consciência não provocados intencionalmente pelo médico. O termo “coma induzido” pode levar a conclusões precipitadas e causar medo nos pacientes e familiares, por associação direta ao estado de coma ou a algo de difícil reversão.

Existem várias indicações para se sedar o paciente, e para cada uma delas o nível de sedação indicado é diferente. A titulação do nível de sedação é feita através de escalas específicas, e dependendo da intensidade da sedação, é possível ao paciente mesmo sedado estabelecer contato com a equipe e seus familiares. Nos casos onde necessitamos realizar uma sedação profunda, o paciente não consegue estabelecer contato com o meio ambiente. A escolha e a manutenção da sedação são direcionadas por diretrizes nacionais e internacionais de sociedades de especialistas em cuidados críticos e medicina intensiva.

As indicações para sedação profunda atualmente têm se tornado cada dia mais restritas, e tem sido reservada a pacientes em ventilação mecânica em algumas situações específicas, tratamento crises epilépticas refratárias, e para pacientes em risco ou com hipertensão intracraniana (aumento da pressão dentro do crânio). Sendo assim, é possível que mesmo um paciente que já se encontre em coma, necessite sedação profunda.

Após retirada da sedação alguns pacientes acordam após algumas horas, outros demoram vários dias. Alguns fatores contribuem para o paciente demorar a acordar, entre eles podemos citar: uso prolongado de drogas sedativas ou em altas doses, uso de drogas de vida longa, pacientes idosos, pacientes com insuficiência renal ou hepática, pacientes com lesão do SNC. É importante lembrar, que pacientes com lesão cerebral grave, podem não acordar mesmo após a retirada da sedação, é possível que permaneçam em coma por consequência de sua patologia cerebral.

Por Dra. Adriana Rocha de Carvalho Sousa

Médica Intensivista do ING – CRM-11677