*Doentes crônicos do coração precisam redobrar cuidados*

O Ministério da Saúde estima que 31,5% dos óbitos no Brasil seja causado por doenças cardiovasculares, ou DCVs, fazendo das cardiopatias a primeira causa de morte entre a população brasileira. Males como hipertensão, obesidade, diabetes e outras doenças crônicas do coração, respondem por mais de 7,6 milhões de mortes no mundo todo.

Mas em tempos de pandemia da COVID-19 estes números, que já são graves, podem ficar ainda piores, já que pessoas com doenças do coração, juntamente com quem tem problemas respiratórios, idosos e portadores de doenças crônicas, formam o principal grupo de risco da doença.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que o índice de mortalidade do novo vírus tem chegado a 10,5% entre os pacientes que têm algum problema cardiovascular ou cardíaco preexistente, enquanto na média global das pessoas a incidência de óbito é de 3,5%.

Uma infecção viral como a causada pelo novo coronavírus pode causar reações no organismo que levam a uma descompensação das doenças cardiovasculares, potencializando processos inflamatórios crônicos preexistentes, o que por sua vez podem levar a complicações e agravamentos no caso de uma infecção viral, tal como a COVID-19.

Outro alerta que se faz necessário é que doenças cardiovasculares e cardiopatias não são problemas exclusivos de idosos. Para se ter uma ideia, o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica), conduzido por pesquisadores da USP, identificou em 2016, uma prevalência de 9,6% de incidência de hipertensão arterial em mais de 73 mil estudantes de todo o País, com idade entre 12 e 17 anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 15% das crianças brasileiras, com idade entre 5 e 9 anos, são obesas, o que faz com que as pessoas em idades cada vez mais jovem desenvolvam problemas cardíacos, fora as doenças congênitas do coração, com as quais muitos indivíduos já nascem.

É justamente em virtude desse grande potencial de agravamento provocado pela COVID-19, que a orientação para os indivíduos que têm algum problema cardiovascular ou cardíaco é o isolamento domiciliar rigoroso e cuidados redobrados com práticas de higiene, como lavar as mãos, um hábito simples sempre lembrado por nossas mães e avós quando crianças e que hoje pode salvar milhões de vidas no mundo.

Quem tem quadro de doenças cardiovasculares, cardíacas ou cardiorrespiratórias e apresentar sintomas como febre persistente, tosse, cansaço, falta de ar e fadiga devem procurar imediatamente uma unidade de saúde, para que seja feito um diagnóstico o mais rápido possível, e de forma igualmente rápida, seja traçada e iniciada uma estratégia de tratamento.

Medicamentos de uso contínuo não devem ser interrompidos, salve mediante expressa determinação médica. Infelizmente existem muitas informações que têm sido divulgadas nas redes sociais sobre interação entre alguns medicamentos usados em tratamento de doenças cardiovasculares e o novo coronavírus. No entanto, não há nenhuma evidência científica sólida sobre isso. Por isso a recomendação é que todos os pacientes com doenças crônicas mantenham suas medicações e busque informações de seu médico ou de fontes realmente seguras.

Por Dr. Walter Beneduzzi Fiorotto, médico Cardiologista Intervencionista da Angiocardis.

CRM 12708