Coronavírus são vírus de RNA que possuem uma estrutura envelopada em forma de coroa, daí surgiu este termo “coronavírus”.  Os coronavírus possuem subtipos, tanto em animais quanto em humanos.

As primeiras infecções respiratórias descrita em humanos por coronavírus ocorreram na década de 50/60. Em 2002 foi descrita a síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV), em 2012 a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS-CoV). Mais recentemente, mais letal e transmissível, em dezembro de 2019, a SARS-CoV variante 2 ou COVID-19, em Wuhan na China.

Historicamente, os coronavírus são neurotrópicos; ou seja, tem possibilidade comprometer   o sistema nervoso. Sabe-se que esta disseminação pode ocorrer por via hematogênica (sangue); quando o vírus é inoculado pela respiração e passa à corrente sanguínea. Há ainda a teoria da disseminação chamada neuronal retrógrada, onde o vírus na cavidade nasal, penetra no crânio através dos nervos olafatórios e atinge, assim,  sistema nervoso central (SNC). Esta teoria pode explicar  um sintoma comum no COVID-19, a perda ou redução do olfato (anosmia/hiposmia).

Sabe-se ainda muito pouco sobre a fisiopatologia específica do COVID-19, entretanto alguns autores descreveram a teoria da ação direta do vírus no SNC, comprometendo as células da glia que produzem a mielina no SNC; o que justifica os achados de imagem de ressonância destes pacientes, com alteração de sinal da substância branca onde se concentra mais mielina. O comprometimento do SNC pode ser também por inflamação autoimune desencadeada pelo virus mas sem a presença dele no SNC, como ocorre em outras viroses.

O comprometimento mais grave do SNC pelo COVID-19 parece, até agora, muito raro como um caso descrito de encefalite necrotizante aguda.

Há ainda uma carência grande de dados na literatura a respeito de complicações neurológicas  pelo COVID, necessitando de mais dados epidemiológicos e estudo de necrópsias para elucidação.

Importante salientar ainda que portadores de doenças neurológicas preexistentes, de natureza autoimune ou que estão em tratamento imunossupressor, como esclerose múltipla, neuromielite óptica, miastenia gravis, síndrome de Guillain-Barré e outras, devem se resguardar mais rigorosamente e procurar informações com seus neurologistas assistentes.

 

Por Dra. Aline Leite Duarte

CRM GO 13.848

Neurologista do ING