A dor de cabeça é uma das mais freqüentes reclamações das pessoas em geral. As mulheres sofrem mais que os homens: 30% das mulheres tem dor de cabeça e 8% dos homens. Um dos tipos de dor de cabeça mais frequente é a enxaqueca que, segundo um levantamento chamado Global Burden of Disease Survey é a segunda doença mais comum no mundo, com prevalência de 14.7% na população.

A dor de cabeça começa na infância ou na juventude. Portanto não é verdade que criança não tem dor de cabeça ou que elas inventam. O médico usa a palavra cefaleia no lugar de dor de cabeça.

A maior preocupação de quem tem dor de cabeça é o medo de ter uma causa grave como tumor ou aneurisma. Quando descobre que não tem estas coisas, então quer um tratamento para resolver a dor, o que é muito natural.

A Sociedade Internacional de Cefaléias elaborou uma classificação das dores de cabeça para que todos os médicos do mundo possam  utilizar como modelo único. Esta classificação consta de 13 categorias diferentes e cada uma delas é subdividida em vários tópicos , de modo que existem mais de 300 tipos de dores de cabeça diferentes.

Portanto para saber qual é a cefaleia do paciente, o neurologista precisa ouvir como é a dor, onde dói, como dói, o que piora ou o que melhora a dor, o que o paciente sente além da dor e muitas outras coisas. Assim o médico pode entender qual é o tipo de cefaleia daquele paciente. Em seguida, o neurologista faz exame clínico minucioso. Aí então decide se precisa ou não de exames complementares como exames de sangue, tomografia,  ressonância ou outros.

A primeira função do neurologista é afastar doença grave, a segunda dizer que tipo é a dor de cabeça e tratar de aliviar. Para isso solicita exames para confirmar a ausência de condições graves e tranquilizar o paciente.

A maioria das dores de cabeça são benignas, ou seja não tem nada de grave, nada que ponha em risco a vida ou o cérebro da pessoa. Entretanto, a dor de cabeça pode ser um transtorno pelo sofrimento que provoca. È uma das causas mais frequentes de atendimentos em prontos socorros e de ausência na escola ou no trabalho. Ninguém gosta de ter dor, principalmente se é forte ou se aparece quase todo o dia. Dor muito forte não quer dizer que seja grave.

As dores de cabeça mais freqüentes são a ENXAQUECA e a CEFALEIA TENSIONAL.

A enxaqueca é uma dor que vem de vez em quando, latejante, forte, provocando enjôo e vômitos; dura poucas horas até poucos dias, passa e repete após algum tempo.A enxaqueca pode começar com manchas na vista. Costuma  ser hereditária e  por isso haver muitas pessoas na família com dor de cabeça.

A cefaleia tensional é aquela enjoada, mas não tão forte, que dura o dia todo, quase todos os dias. Mesmo assim a pessoa trabalha e leva a vida. Costuma ser mais na metade posterior, mas pode tomar a cabeça toda, como se fosse uma faixa apertada.

Nestes 2 tipos de cefaleia, todos os exames complementares são normais.

As pessoas acreditam que as dores de cabeça sejam provocadas por sinusites, alterações da vista, distúrbios das articulações temporomandibulares, mas quase sempre não são estas as causas. Ou seja depois de tratarem estas condições, a cefaleia persiste.

O que é importante é que dor de cabeça precisa ser bem analisada pelo neurologista para saber se é ou não grave. AS DORES DE CABEÇA TEM TRATAMENTOS eficientes, que se não curam todas, pelo menos promovem grande alívio. O que se deve evitar é o uso indiscriminado de analgésicos ou daqueles remédios indicados por amigos ou balconistas de farmácia, que acabam por tornar a dor mais frequente e mais resistente aos tratamentos.

 

Por Dr. Sebastião Eurico de Melo Souza, neurologista, CRM 770.