Desde o início da utilização do EEG (Eletroencefalograma) como instrumento diagnóstico em Neurologia em 1929, vimos presenciando uma evolução tecnológica. Os primeiros registros eram feitos em cilindros metálicos impregnados de fuligem, que iam se limpando à medida que uma agulha os tocava, registrando a atividade elétrica cerebral. A introdução dos registros em papel com penas conectadas aos galvanômetros permitiu o uso clínico bem mais versátil e perdurou por décadas. Nos anos 90 ocorreu a digitalização do EEG, com computadores convertendo os sinais analógicos em digitais, substituindo as pilhas de papel contínuo por amostras selecionadas dos traçados, reduzindo em 90% o consumo de papel. As árvores agradeceram. Agora iniciamos uma nova época do EEG, migrando para os exames “paperless” – sem papel.

O armazenamento das informações digitais em nuvem, juntamente com a assinatura digital trouxeram mais conveniência e segurança, novamente resultando em uma redução de mais de 90% do consumo de papel. Embora seja uma técnica que chegará em breve ao seu centenário, continua sendo indispensável no diagnóstico de várias doenças neurológicas, especialmente as epilepsias, quando bem executado. Temos orgulho hoje de sermos pioneiros nacionais na implantação do EEG sem papel, já em plena conformidade com a nova Lei Geral de Proteção de Dados. Bem vindos ao século 21.

*Curiosidade: em 30 anos reduzimos a quantidade consumida de papel para um EEG de rotina de 12 m2 para 0,06 m2 (0,5%).

 

Por Dr. Francisco Arruda

Neurofisiologista do ING

CRM GO 6330