A enxaqueca, também conhecida como migrânea é uma doença neurovascular que se caracteriza por crises repetidas de dor de cabeça, que podem ocorrer com uma frequência bastante variável, desde poucas crises durante a vida até alguns episódios ao mês.

A enxaqueca, pode ser dividida em dois grupos: enxaqueca sem aura ou enxaqueca comum e enxaqueca com aura. A enxaqueca sem aura caracteriza-se por dor de cabeça hemicraniana (ou seja, até 60% dos casos a dor ocorre em apenas um lado da cabeça) ou holocraniana (bilateralmente), com intensidade variável (de moderada a intensa), de caráter pulsátil (latejante), com hipersensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia); está associada ainda a náuseas e/ou vômitos. Sua duração varia de 4 a 72 horas.

A migrânea com aura apresenta sintomas neurológicos focais, que precedem a dor e são transitórios (o que se chama de aura); geralmente tem duração de 5 a 20 minutos e não ultrapassam 60 minutos. Estes sintomas são mais comumente visuais, com alteração da nitidez da visão, pontos luminosos brilhantes ou alterações de campos visuais, geralmente com comprometimento central da visão, até cegueira parcial e reversível; podem também ocorrer sintomas sensitivos, como dormências e formigamentos.

A enxaqueca pode iniciar em qualquer idade, até em crianças mas está mais associada a adultos jovens e mulheres. Apresenta ainda uma predisposição genética com vários casos na mesma família.

Por ser uma doença crônica, o conhecimento de fatores desencadeantes de crises é de suma importância. Estes fatores estão relacionados com condições hormonais: período pré-menstrual e menstrual, anticoncepcionais; fatores alimentares: jejum prolongado e certos alimentos, como álcool, café, chocolate, queijos fortes, algumas frutas como melancia; fatores emocionais e psicológicos: estresse, ansiedade, irritabilidade; sono: privação de sono, sono prolongado ou alterações do ritmo do sono como despertares noturnos frequentes; estímulos sensoriais: odores fortes, ruídos intensos.

O diagnóstico de enxaqueca é clínico, ou seja, baseado nas características clínicas da dor e seus fatores desencadeantes, não existindo um marcador biológico ou exame de imagem que fazem este diagnóstico.

O tratamento se divide no tratamento para fase aguda, ou seja, para cessar a crise de enxaqueca e tratamento preventivo que é também chamado profilático que visa a prevenção de novas crises. A necessidade do tratamento preventivo é avaliada de acordo com a frequência e a incapacidade das crises de enxaqueca, sendo indicado para indivíduos com crises muito frequentes ou crises que os impedem de exercer suas atividades habituais como trabalho e estudo.

Associado ao tratamento medicamentoso, a mudança dos hábitos de vida é de suma importância, por causa dos fatores que desencadeiam a dor e estão relacionados à frequência das crises.

Tratamentos adjuvantes como acupuntura, acompanhamento psicológico e fisioterapia aumentam ainda mais a eficácia do tratamento da enxaqueca.

 

Por Dra. Aline Leite Duarte, neurologista do ING, CRM 13848.