A esclerose múltipla é uma doença crônica, inflamatória, auto-imune e desmielinizante do sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). A doença auto-imune ocorre quando o organismo confunde um seu  próprio componente  como sendo “desconhecido” e o agride. E desmielinizante, porque esta agressão se dá contra a bainha de mielina (capa adiposa que protege as fibras  nervosas), produzindo inflamação.

As causas da esclerose múltipla não são totalmente esclarecidas, mas sabe-se que há uma associação entre fatores genéticos (alguns genes já identificados) e fatores ambientais, como infecções pelo vírus Epstein Barr, tabagismo, obesidade – principalmente na adolescência, contatos com solventes orgânicos – recentemente relacionados, além de baixos níveis de vitamina D, por tempo prolongado. Por isso, a prevalência e a incidência no mundo é tão variável, sendo em países europeus e na América do Norte, a maior ocorrência. No Brasil, os últimos dados de 2013, estima-se que existam 40.000 casos de esclerose múltipla, segundo a Organização Mundial de Saúde. A incidência é maior em mulheres jovens, na faixa de 20 a 40 anos de idade.

A esclerose múltipla é classificada, de acordo com sua evolução e progressão ao longo do tempo, em:

  • Remitente-Recorrente (RR) – a mais comum, cerca de 85% dos casos, onde sintomas neurológicos típicos ocorrem em surtos, duram  mais de 24 horas, podendo se prolongar por  dias ou semanas e com melhora após este período;
  • Primariamente Progressiva (PP) – não ocorrem surtos, os sintomas e as sequelas são progressivas;
  • Secundariamente Progressiva (SP) – quando no início a doença se apresenta em surtos, após um tempo variável geralmente anos, os sintomas passam a evoluir lenta e progressivamente.

A esclerose múltipla pode envolver qualquer parte do sistema nervoso central, de modo que a lista de sinais e sintomas é bastante variável. Caracteristicamente a doença é descrita como disseminada no tempo e no espaço, o que implica comprometimento de diversas áreas do sistema nervoso central e em épocas diferentes. Os sinais e sintomas mais comuns são: fadiga (fraqueza ou cansaço) – cerca de 90% dos pacientes se queixam de fadiga; dormências ou formigamentos; alterações visuais (visão borrada, embaçamento, perda visual ou visão dupla); perda da força muscular; falta de coordenação dos movimentos, tonturas e desequilíbrio; dificuldade de controle da bexiga e/ou do intestino (retenção ou incontinência de urina e fezes); problemas de memória e alterações de humor.

Vários critérios já foram propostos por diferentes autores para o diagnóstico da esclerose múltipla. Atualmente, estes critérios se baseiam no exame clínico neurológico, exame de ressonância magnética de crânio e exame do líquor – obtido através de punção na coluna lombar, com avaliação de marcadores com boa sensibilidade para o diagnóstico.

O tratamento da esclerose múltipla teve um grande avanço nos últimos anos, podendo ser realizado com imunomodulares – medicamentos injetáveis (intramusculares e subcutâneos), medicamentos orais e até mesmo, anticorpos monoclonais – que são drogas endovenosas. O objetivo do tratamento é atuar na evolução da doença, promovendo maior funcionalidade do paciente, diminuindo o número de surtos e a progressão da doença. Existe ainda tratamentos específicos, durante o surto (fase ativa da doença) que visam reverter os sintomas e sinais e evitar as sequelas e  tratamentos dirigidos para os alguns sintomas da doença como a fadiga, incontinência urinária, constipação, etc.

O prognóstico da esclerose múltipla é muito variável, mas sabe-se que a maioria das pessoas apresenta incapacidade física em algum momento; por isto a importância de iniciar o tratamento precoce com medicamentos eficazes.

Dra. Aline Leite Duarte, neurologista, CREMEGO  13.848