Coma é definido como um estado caracterizado, principalmente, pela ausência ou extrema redução do nível de consciência (nível de alerta), e pela falta de resposta aos estímulos, portanto trata-se de um bloqueio das funções do encéfalo. Muitas patologias e lesões podem afetar o bom funcionamento do encéfalo e provocar o coma, e podem ser decorrentes de lesões primariamente do sistema nervoso central (SNC), ou não, como por exemplo: traumatismo craniano, infecção do SNC ( meningites e encefalites), tumor cerebral, acidente vascular cerebral, coma alcóolico, encefalopatia anóxica (pós parada cardiorrespiratória), e distúrbios metabólicos (hipoglicemia, hipotireoidismo grave, insuficiência renal e hepática)e efeito de agentes farmacológicos ou tóxicos.

 

Existem vários graus de coma, uma pessoa em coma pode estar inconsciente mas ainda ser capaz de apresentar alguma resposta a estímulos dolorosos ou a chamados vigorosos. Para avaliar a profundidade do coma usamos uma escala chamada “Escala de Coma de Glasgow”, que foi criada por neurologistas da universidade de Glasgow, na Escócia, em 1974. Nesta escala são levados em conta a resposta verbal, a resposta motora e abertura dos olhos aos chamados e à dor. A classificação varia de 3 a 15 pontos, a pontuação mínima (3 pontos) é dada quando o paciente não responde a nenhum estímulo (coma profundo), e a máxima (15 pontos), em pacientes que não apresentam alteração alguma em seu estado de consciência. As sequelas que podem decorrer após a injúria cerebral e coma, dependem da causa do coma e da velocidade com que essa causa é revertida (se isso for possível). Podem haver sequelas motoras, sensitivas, cognitivas, convulsivas ou até comportamentais. O que deve ser feito para minimizar as consequências é evitar as complicações decorrentes do coma e combater a sua causa básica.

 

Existem outras alterações de estado de consciência e que não são, do ponto de vista médico, consideradas como coma (apesar de muitas pessoas as confundirem). São elas: estado confusional agudo (delírio), morte encefálica, estado vegetativo persistente. Além disso, ainda há situações que apenas se parecem com o coma, como a catatonia. São estados importantes de serem reconhecidos e diferenciados do coma, pois demandam terapêuticas específicas, e apresentam prognósticos diferentes.

 

Por Dra. Adriana Rocha de Carvalho Sousa

 

Médica Intensivista do ING – CRM-11677