Os aneurismas intracranianos representam uma das causas do acidente vascular cerebral (“derrame”). Eles resultam de alterações nas paredes das artérias intracranianas, o que promove o surgimento da dilatação (aneurisma). Quando há o seu rompimento, ocorre o que chamamos de hemorragia subaracnóidea (HSA) espontânea – que é uma emergência médica – visto que uma parcela de 10% dos pacientes que a apresentam morre antes do atendimento médico (Becske et al, 2015). Deste quadro, podem resultar sequelas graves ou morte tardia do paciente.

O quadro clínico da HSA normalmente é representado por uma cefaleia súbita muito intensa (descrita como a pior dor de cabeça já apresentada pelo paciente), associada ou não à perda súbita da consciência, náuseas / vômitos, turvação visual e rigidez de nuca (“pescoço endurecido”), além de alterações neurológicas focais (perda de força de membro, desorientação, alteração da linguagem, etc). Alguns pacientes podem se apresentar em coma já inicialmente a partir do momento da ruptura, condição em que a morbi-mortalidade é extremamente alta.

O diagnóstico da hemorragia subaracnóidea é realizado através da tomografia computadorizada de crânio ou através da punção lombar de líquor. Uma vez diagnosticada, faz-se necessária a realização de um cateterismo arterial intracraniano (angiografia) para identificação e localização do aneurisma.

O tratamento do aneurisma intracraniano é realizado através da microcirurgia intracraniana convencional (craniotomia para clipagem) ou através da técnica endovascular (embolização). A técnica adequada para cada caso é definida pela equipe médica assistente e pelo paciente (em alguns casos), a fim de trazer o melhor resultado. Lembramos ainda, que a incidência de aneurismas intracranianos pode estar a associada a fatores hereditários (presença de aneurisma em mais de um familiar em primeiro grau).

Os fatores de risco para ruptura dos aneurismas intracranianos mais consideráveis são: hipertensão arterial sistêmica mal controlada, tabagismo, sedentarismo, presença de familiares em primeiro grau com história de aneurisma intracraniano roto.

Dr. Lórimer Carneiro

Neurocirurgião do Instituto de Neurologia de Goiânia.

CRM – GO 9354 / RQE 5926