O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a principal causa de invalidez no mundo, além de ser responsável por um alto índice de mortalidade na fase aguda. No Brasil é considerada a primeira causa de morte. No mundo, é a terceira. Mesmo com os tratamentos mais modernos, um grande número desses pacientes acaba ficando com sequelas. Segundo o neurologista do ING, Dr. Sebastião Eurico de Melo Souza, estas sequelas são leves ou graves, podem ser compatíveis com a existência normal do paciente ou podem incapacitá-lo para qualquer tipo de atividade. O especialista afirma que a reabilitação após AVC deve ser realizada por uma equipe multiprofissional. Ele analisa, ainda, as novidades em reabilitação que têm desenvolvido papel importante na promoção da qualidade de vida.

É bastante importante esse atendimento global, porque o AVC atinge várias áreas e prejudica diversas funções. A reabilitação deve ser continuada. Para isso, a aderência do paciente, da família e dos cuidadores é fundamental. Se apenas o paciente estiver envolvido neste processo, pode acontecer dos exercícios não serem realizados de maneira adequada e, caso a resposta não corresponda às expectativas, o paciente desiste. Outra possibilidade é o surgimento das dores: neste caso o paciente resiste e evita a atividade física, o que deve ser combatido com o tratamento da dor.

A duração do tratamento é variável e depende da severidade da sequela, podendo ser por um tempo curto – se o paciente ficar bem – ou mais prolongado. A melhor fase de reabilitação são os primeiros meses, porque as condições do cérebro são ótimas para o processo, mas depois desse período ainda pode-se obter benefícios. Existe uma técnica chamada Técnica da Contenção, que mesmo depois de alguns anos do AVC, promove resultados satisfatórios. Consiste na imobilização, por algumas horas do dia, do braço sadio para obrigar a utilizar o braço enfraquecido. A técnica só se aplica quando o braço enfraquecido tem algum grau de força.

Outro aspecto importante é a intensidade da terapia. Em trabalhos científicos observou-se que quanto mais exercícios são feitos, melhor a recuperação. Voltemos ao paciente com problema no braço. Se ele fizer exercício uma vez ao dia o ganho pode ser menor que  se fizer mais vezes  e  se executar muitas vezes ao dia o resultado é ainda superior. Os exercícios são pré-determinados, o profissional avalia qual movimento é mais útil para o paciente e esse movimento vai ser repetido muitas vezes ao dia.

A informática tem tido papel crescente em reabilitação. Existem programas de computador em que o indivíduo realiza os movimentos repetidas  vezes ao dia, olhando para o monitor e observando se está desenvolvendo o exercício de maneira correta. Ainda existem programas para marcha, equilíbrio, funções cognitivas e outras.

Antigamente, tinha-se a ideia de que o cérebro não se recuperava, ou seja, se o paciente tivesse uma lesão, este estado seria definitivo. Esse conceito tem mudado radicalmente, pois o cérebro tem diversos recursos para a reabilitação. Trata-se de um conjunto de fenômenos que ocorrem no sistema nervoso, a que se denomina neuroplasticidade, ou seja, a célula nervosa sobrevivente pode criar novas conexões com outras células e com isso restabelecer um pouco a função.

As técnicas que existem de reabilitação, como a fisioterapia e a terapia ocupacional, ajudam a promover novas conexões e com isso restabelecer funções perdidas, sem que haja regeneração daquelas células que morreram e que se perderam no AVC. Os exercícios são estimuladores para o cérebro.

Outras funções cerebrais comprometidas por um AVC, como a fala, o equilíbrio, a escrita, por exemplo, também  tem técnicas de reabilitação eficazes executadas por especialistas em cada área.