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CIRURGIA DA EPILEPSIA: UMA NOVA ESPERANÇA
Dr Francisco Arruda
Dr Sebastião Eurico de Melo-Souza
Dr Paulo César Ragazzo
 

A epilepsia é conhecida desde os tempos primordiais, citada por Hipócrates na era antes de Cristo. E desde então vem permeando o imaginário popular, passando por fases em que era considerada uma dádiva divina e outras dita como obra do demônio.

Sabe-se hoje que a epilepsia é apenas uma manifestação de um transtorno cerebral, de causas diversas e que se apresenta como crises de sintomas neurológicos passageiros. A grande crise, a convulsão tônico-clônica generalizada, em que o paciente cai, baba, debate-se todo, morde a língua, serviu para criar uma imagem negativa, como se pudesse ser contagiosa ou degradante. Estas crises são mais facilmente controladas pelas medicações disponíveis.


Grandes vultos da humanidade sofreram de epilepsia (o imperador romano Julio César, o escritor russo Dostoievski, o general Napoleão Bonaparte, o nosso escritor maior Machado de Assis), o que serve para atestar que a epilepsia é compatível com uma existência normal e até brilhante.

A epilepsia é muito comum : em um levantamento feito em um CAIS de Goiânia, encontramos 2% de portadores de epilepsia. O que está de acordo com outros levantamentos no Brasil ou em outras partes do mundo. Sabe-se que 80% dos casos são controlados com medicações ( inclusive disponíveis nos nossos postos de saúde) e alguns pacientes nem as tomam porque as crises são raras ou bem leves.As pessoas assim controladas tem uma vida normal, com poucas restrições e vivem a vida toda controlados.

O grande problema é o restante 20% que não obtém controle com drogas apropriadas em doses adequadas, mesmo em combinação entre elas. Nesses casos, torna-se necessário elevar as doses o que costuma acarretar inevitáveis efeitos colaterais desagradáveis.

Desta porcentagem, o maior número é portador de crises parciais que se manifestam de um modo diferente, o que faz as pessoas e mesmo médicos não especialistas não reconhecê-las como crises epilépticas.

Vamos descrever como exemplo, a crise parcial complexa que é o tipo mais freqüente de crise epiléptica. O paciente percebe que vai passar mal (aura),sentindo um mal estar no estômago que sobe para a cabeça, ou pode ser uma tontura, uma visão, uma sensação de estranhar o ambiente.O paciente avisa que não está bem ( “ aquilo está chegando”) e procura se proteger.Em seguida fixa o olhar, sem piscar,perde os sentidos,não responde a perguntas ou o faz de modo desconexo; começa a mover os lábios e a boca,como se estivesse mastigando, executa gestos de passar a mão no rosto, ou esfregando uma na outra ou tateando o ambiente; pode ficar parado ou cair ou andar (resiste se contido), sair de casa e até dirigir uma carro ( automatismos). Pode acidentar-se, cair, bater o carro etc. Desperta sem qualquer lembrança do que ocorreu, geralmente dorme por algum tempo e acorda como se nada tivesse acontecido.

Este tipo de epilepsia acontece por uma cicatriz na parte profunda do lobo temporal, chamada hipocampo, que é conhecida como esclerose mesial temporal ( EMT) e é  a principal causa de epilepsia não controlada pelos medicamentos.

Apesar de não ser uma crise tão dramática, o paciente tem limitações na sua vida, não deve dirigir veículos, não pode nadar, não pode usar alcoólicos, não deve trabalhar em ambientes perigosos, entre outras coisas. Isto naturalmente  gera frustração, depressão, ansiedade e aumenta o risco de suicídio. Dificilmente consegue manter ou arranjar empregos. Conflitos familiares são freqüentes.. Além disto, com o tempo, crises repetitivas podem reduzir a capacidade intelectual, a memória, a atenção, a rapidez do processamento mental, as funções executivas, a linguagem e alterar o comportamento.

Estes pacientes, submetidos a uma avaliação rigorosa,  mas bastante bem sedimentada e validada em décadas de experiências, podem obter resultados altamente satisfatórios com a cirurgia de ressecção do foco epiléptico (EMT).
A avaliação exige internação do paciente e minuciosa investigação que consta de : exames clínico, neurológico e psiquiátrico, testes neuropsicológicos, exames laboratoriais e ressonância magnética do crânio.O paciente é colocado em uma unidade de monitorização, em que é filmado e permanece horas em registro contínuo de eletroencefalograma, até ter as crises registradas e filmadas.
A seguir, a equipe multidisciplinar se reúne e discute todas as possibilidades e se decide se a cirurgia pode ser recomendada com segurança.

Pensando apenas na população goiana, imaginamos haver 20000 epilépticos nesta situação. A cirurgia indicada é a retirada da área temporal mesial onde existe a cicatriz (EMT). O resultado final pode ser a cura definitiva da doença (em 50% dos casos operados em nossa instituição) ou a redução importante da freqüência das crises, melhorando a qualidade de vida. Poucos casos não se beneficiam pela cirurgia.

A cirurgia de epilepsia tem um índice de sucesso igual as cirurgias neurológicas de tumores benignos, as complicações são reduzidas e o paciente pode ser novamente inserido no contexto social
A cirurgia, reduzindo ou controlando as crises, diminui os efeitos colaterais das drogas, melhora o comportamento e promove recuperação de funções mentais.

É inegável o benefício deste procedimento e não se pode privar os pacientes de tal recurso, seja por não conhecer o método ou desconhecer a sua eficácia e segurança. A cirurgia realizada muito tardiamente não é capaz de reverter danos causados ao longo dos anos, provocados pelas descargas epilépticas sobre as áreas normais.
A cirurgia é um processo altamente seletivo, não é adequada para todos os tipos de crises refratárias ao tratamento. Focos múltiplos, aqueles situados em áreas nobres que não podem ser tocadas pela cirurgia ou quando o foco não é definitivamente identificado, não tem indicação cirúrgica.

A equipe do Centro de Tratamento de Epilepsia do Instituto de Neurologia de Goiânia tem 20 anos  de experiência na avaliação e tratamento de epilepsia, mais de 2000 casos operados, serve ao Brasil todo através de uma parceria com o com o Ministério da Saúde.

 
 
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