O uso e indicações da neuropsicocirurgia estereotáxica para desordens psiquiátricas já estão bem estabelecidos. Em 2003, durante o XXI Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado aqui em Goiânia, juntamente com dois neurocirurgiões e um psiquiatra, participamos de uma mesa redonda sobre esse tema. Vale ressaltar que, em 2013, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução CFM 2057-2013 aprovando a neuropsicocirurgia.

Atualmente, a melhor indicação para esse tipo de cirurgia é o transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Em um número menor de casos, pacientes com outros diagnósticos também já foram operados, como transtorno depressivo maior, síndrome de Gilles de la Tourette, abuso-dependência de substâncias, anorexia nervosa e, mais recentemente um caso foi relatado do uso da DBS no tratamento da  obesidade  mórbida. Pacientes com retardo mental grave com comportamento violento também já foram operados. Uma das técnicas utilizadas para essa cirurgia é a  estereotaxia, que permite a localização precisa do alvo desejado. Outro método é a colocação de um marca-passo cerebral, que é implantado sob a pele pouco abaixo da clavícula e ligado a um eletrodo posicionado no cérebro, no alvo escolhido pelo neurocirurgião.

O consenso para neuropsicocirurgia esterotáxica em transtornos psiquiátricos, referido no artigo anteriormente citado, foi aprovado pelas Sociedade Mundial de Neurocirurgia Estereotáxica e Funcional, Sociedade Europeia de Neurocirurgia Estereotáxica e Funcional  e pela Associação Mundial de Psiquiatria, entre outras entidades. As diretrizes estabelecem que todos os candidatos à cirurgia devem, obrigatoriamente, ser avaliados por psiquiatras independentes, fazer avaliação neuropsicológica, antecedentes históricos comprovando a gravidade da doença, cronicidade, refratariedade aos tratamentos clássicos.

Todos os pacientes capazes ou seu responsável devem assinar o Consentimento Informado, o qual fornece as orientações necessárias e informa, por exemplo, que o tratamento não é capaz de “curar” o processo da doença, mas sintomas específicos podem ser controlados e o paciente deve continuar a receber cuidados de um programa de tratamento abrangente. Os pacientes candidatos a essa cirurgia precisam de um bom nível de apoio psicossocial da família.  A decisão apressada  não é recomendada em qualquer cenário. Cada paciente tem respeitado o seu tempo, podendo desistir a qualquer momento, sem que isso venha prejudicar atendimento futuro.

No pré, per e pós-operatório, os pacientes devem receber assistência de profissionais  com experiência no atendimento a esses pacientes e a avaliação pós-operatória de toda a equipe é obrigatória. O ajuste social após a neuropsicocirurgia pode ser desafiador para muitos pacientes. Frequentemente a psicoterapia de várias modalidades passa a ser responsiva após a neuropsicocirurgia.

Para uma busca na internet, digite no Google: “neuropsicocirurgia”. Você também  encontrará bons vídeos no YouTube.

 

Dr. Paulo Maurício de Oliveira – CRM GO 3476

Médico Psiquiatra da Equipe de Cirurgia de Epilepsia do Instituto de Neurologia de Goiânia. Professor Adjunto da Faculdade de Medicina UFG.

Com a colaboração de Lizete Malagoni de A. C. Oliveira- COREM 17701

Enfermeira. Professora Titular da Faculdade de Enfermagem da UFG.