1. Estudo da parede vascular (“black blood”)

 

As doenças cerebrovasculares levam a inúmeros casos de mortalidade e incapacidade. As técnicas convencionais atuais de angio-tomografia, angio-ressonância e angiografia digital, avaliam preferencialmente anormalidades referentes ao calibre do vaso. Já a nova imagem de alta resolução da parede do vaso obtida por meio da utilização da Ressonância Magnética (Vessel Wall MR imaging), conhecida por “black blood”,  permite a visualização direta de anormalidades da parede do vaso.

Utilizada em casos selecionados, essa técnica tem uma melhor resolução espacial e melhor qualidade nos aparelhos de Ressonância Magnética de 3.0 Tesla.

As suas principais aplicações são a avaliação de placa aterosclerótica intra e extracraniana, vasculite, síndrome de vasoconstricção cerebral reversível, dissecção arterial e em avaliação de aneurisma cerebral não roto, dentre outras causas de estreitamento arterial.

Na avaliação das placas de aterosclerose, algumas características da placa como espessura parietal, superfície, presença de ulcerações, capa fibrosa fina e presença de inflamação aguda, estão associadas a um maior risco de eventos vasculares. A presença de hemorragia dentro da placa está presente em 20-30% das placas e está associada a aumento da probabilidade de infarto cerebral.

Essa técnica é útil também para diferenciar vasculite de síndrome de vasoconstricção cerebral reversível, uma vez que ambas apresentam estreitamento luminal, porém o realce parietal concêntrico pelo contraste é caracterizado nos casos de vasculite, sendo ausente ou mínimo no segundo caso.

O aneurisma intracraniano não roto é, na maioria das vezes um achado incidental nos exames tradicionais de imagem vascular intracraniana. Já o realce parietal pelo contraste no aneurisma cerebral obtidos por esta nova técnica, está relacionado possivelmente a maior atividade inflamatória e maior risco de rotura.

A literatura demonstra que o estudo da parede vascular combinada à imagem vascular convencional aumenta consideravelmente a acurácia diagnóstica das vasculopatias intracranianas.

 

  1. Arterial Spin Labeling: medindo fluxo sanguíneo cerebral

 

Arterial Spin Labeling (ASL) é uma técnica não-invasiva de Ressonância Magnética  usada para avaliar a perfusão cerebral através da quantificação do fluxo sanguíneo cerebral (CBF), sem a utilização de contraste venoso. O CBF é um dos principais indicativos de viabilidade do tecido e pode ser combinado a parâmetros fisiológicos para revelar a neurobiologia complexa das funções cerebrais em condições saudáveis e patológicas. Suas aplicações clínicas possíveis são acidente vascular cerebral, má-formação vascular, hiperperfusão associada a enxaqueca, demência e outras desordens cognitivas.

Dra. Fernanda Ramos Carneiro, radiologista, CREMEGO 19949

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