Os TPs que se originam das próprias células do SNC têm uma grande variedade histológica. A última classificação da Organização Mundial de Saúde (OMS) identificou mais de 130 tipos. Quando associamos os novos estudos que contemplam variação genética, podemos chegar a mais de 200 diferentes tipos de tumores. Com tamanha variedade, podemos encontrar tumores que tem um comportamento muito indolente, com crescimento muito lento e que não chegam a trazer nenhum prejuízo na vida do paciente, bem como tumores com crescimento extremamente rápido e agressivo que em poucas semanas, a despeito de todas as formas de tratamento, podem levar a danos irreversíveis e a óbito.

 

Ao evidenciar essa doença, essas perguntas são frequentes : Qual é a razão desse tumor? Foi trauma? É por que sou ansioso, depressivo? A culpa é do estresse? É o uso abusivo do celular? Álcool, drogas? Infelizmente temos que explicar que medicina ainda não desvendou esse mistério e que na imensa maioria dos casos temos que considerar que é uma grande fatalidade.

 

Os sinais e sintomas causados pelos TIs são, usualmente, dor de cabeça, crises convulsivas e perda progressiva de uma ou várias funções neurológicas de acordo com a localização deste tumor. Estes sinais e sintomas são, ademais, diretamente relacionados ao comportamento biológico do tumor. Tumores de crescimento lento, na maioria das vezes de bom prognóstico, normalmente causam poucos sintomas, pois o cérebro consegue se adaptar a um efeito progressivo e/ou infiltrativo. Não raramente vemos tumores gigantes em pessoas absolutamente sem sintomas que são achados por fazer um exame  de imagem por alguma outra razão como, por exemplo, um trauma de crânio. Já os tumores de crescimento rápido, cujo prognóstico costuma ser ruim, são muito sintomáticos mesmo quando ainda pequenos, pois o cérebro “se irrita” com o seu rápido crescimento.

 

O diagnóstico dos tumores intracranianos é feito basicamente uma com boa história clínica, um bom exame físico e, impreterivelmente, uma Ressonância Magnética (RM) de boa qualidade, avaliada por um neuro-radiologista experiente. A tomografia computadorizada perde em qualidade de imagem quando comparada da RM, mas ainda é uma ferramenta muito útil principalmente nos tumores associados a estruturas ósseas. Exames laboratoriais podem ser úteis em casos muito específicos como nas leucemias e, na maioria das vezes, em crianças e em pacientes com doença neoplásica sistêmica uma análise do líquor é fundamental.

 

O tratamento dos tumores cerebrais é muito complexo e depende de vários fatores. Protocolos internacionais de tratamento servem apenas como orientação. Fatores como a idade (nos extremos da vida), estado clínico do paciente (outras doenças sistêmicas associadas – neoplasia maligna controlada ou fora de controle), estado neurológico do paciente (sem sintomas – com sintomas que poderão amenizar com o tratamento – com sintomas irreversíveis), localização (superficial – profunda no cérebro – em áreas fundamentais para uma boa qualidade de vida ou não), extensão da lesão (pequenas até gigantes), quantidade (uma ou várias), tipo histológico presumido da lesão (de comportamento indolente ou agressivo) são o que realmente vão nos guiar.

 

Usualmente o tratamento envolve o tripé cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

 

O prognóstico dos TIs depende basicamente do comportamento biológico e da capacidade do controle de seu crescimento. Os tumores de crescimento rápido e infiltrativos tem, usualmente, um prognóstico ruim, com poucos anos de sobrevida. Já nos tumores de crescimento lento e localizados, o prognóstico é melhor e a cura muitas vezes é atingida.

 

Inúmeras publicações científicas hoje mostram que o prognóstico em oncologia é sempre melhor quando conduzido por uma equipe de especialistas ao invés de médicos isolados. É fundamental no tratamento de uma doença tão complexa uma equipe que inclua o neurocirurgião, o neurologista clínico, o neuro-radiologista, o neuropatologista, o radioterapeuta e o oncologista clínico, os quais irão definir em reunião a melhor conduta para o caso específico, apoiando-se em protocolos internacionais associados a experiências e competências individuais. Não se pode, além disso, esquecer do apoio de uma equipe paramédica hospitalar e pós hospitalar que inclui enfermagem, fonoaudiologia, fisioterapia, nutrição e psicologia. Em oncologia, a excelência do primeiro tratamento é que define o bom prognóstico.

 

Dr. Vladimir Arruda Zaccariotti, neurocirurgião do Instituto de Neurologia de Goiânia CRM-GO 6557