Zumbido é um sintoma e não uma doença.

É uma percepção sonora nos ouvidos e/ou no crânio, sem ruído externo, daí ser chamado de percepção sonora “fantasma”.  Acomete 15 a 25% da população, especialmente frequente em idosos, o que leva a interesse muito grande de centros importantes no mundo dedicados ao seu estudo.

O zumbido costuma acompanhar-se de outros sintomas como hiperacusia (aumento da intensidade dos sons), misofonia (não entender os sons), fonofobia (intolerância aos sons), e mesmo outras manifestações como depressão, ansiedade, distúrbios de memória e do sono.

Os portadores de zumbido queixam de perda sutil e progressiva de audição, com queda na discriminação (ouve mas não entende), o que pode levar a pessoa à exclusão social.

É um sintoma complexo, o paciente pode ter dificuldade em descrever a sua localização, pode flutuar em intensidade, mais perceptível no silêncio (ao deitar para dormir por exemplo), exacerba com emoções, uso de bebidas alcoólicas, café, chá, dormir pouco etc.

As características do zumbido são muito variáveis, de pessoa para pessoa. Pode ter caráter agudo, de alta frequência, como sons de grilos ou cigarra ou grave como som de cachoeira ou de panela de pressão. Alguns pacientes descrevem como chiado. Pode ser contínuo ou intermitente, de um lado ou dos dois, nos ouvidos ou na cabeça. Há um tipo raro de zumbido, um som parecido com sopro, que necessita de investigação de um defeito  na circulação de sangue dentro do crânio .

Algumas vezes tem causas identificadas como trauma acústico, uso de substância ototóxicas,  (incluindo alguns medicamentos), otites, otospongiose, doença de Meniére, otosclerose.

Mas na maioria absoluta dos casos não se encontra uma causa determinante. Pesquisas mais recentes buscam explicação em mecanismos ligados a disfunção nas áreas auditivas do encéfalo.

Diante de um sintoma tão complexo, a abordagem central inclui avaliação inicial do médico otorrinolaringologista e o tratamento exige equipe multidisciplinar. O tratamento é realizado por medicamentos e técnicas não farmacológicas (como técnicas de habituação, de mascaramento e outras).

Dr. Cleone de Castro Marra CRM-GO 783.

ORL do Instituto de Neurologia de Goiânia.