Como o Dr James Parkinson faria hoje?

Este ano, a comunidade médica celebra o segundo centenário da monografia famosa e influente do Dr. Parkinson: Um ensaio sobre a paralisia agitante (An Essay on the Shaking Palsy).

Por que a atenção do Dr. James Parkinson foi dada a esses pacientes no cenário de uma prática médica geral e uma vida social e política agitada não é perfeitamente clara. No entanto, os seis casos que ele descreveu em detalhes estavam cheios de observações corretas e deduções astuciosas. Sua mente analítica era capaz de reconhecer características comuns a todos os 6 pacientes que o inspiraram a considerar que isso deveria corresponder a uma doença. Assim, ele escreveu: “Os casos precedentes parecem pertencer à mesma espécie: talvez apenas no tempo em que a doença existiu e no estágio em que ela havia chegado”.

Nestes 200 anos, a medicina em geral e a neurologia sofreram grandes mudanças e, como o resto da sociedade, estão atualmente imersas em uma revolução tecnológica, que está modificando dramaticamente a arte da medicina. Neste contexto, a percepção clínica do Dr. Parkinson é de suma importância e uma lição que vale a pena enfatizar e tomar como exemplo, mas particularmente pelos mais jovens. No entanto, as observações originais do Dr. James Parkinson permanecem válidas até hoje e suas preocupações e deduções quanto à etiologia e à terapia curativa persistem sem solução. Contudo, uma grande quantidade de informações foi recolhida, particularmente desde a segunda metade do século XX, que modificou substancialmente a visão original de Parkinson.

Notável o crescimento de publicações periódicas, reuniões, associações de pacientes e fundações, etc., em um esforço para produzir um avanço radical na compreensão e tratamento da doença de Parkinson. Importante pesquisar sobre a história da construção do que é atualmente chamado de Doença de Parkinson. Apesar de incompleta, a pequena monografia sobre a “Paralisia agitante”, escrita por James Parkinson em 1817, continua sendo um documento importante.

A doença de Parkinson (DP), descrita por James Parkinson em 1817, é uma das doenças neurológicas mais comuns e intrigantes dos dias de hoje. Tem distribuição universal e atinge todos os grupos étnicos e classes sócio-econômicas. Estima-se uma prevalência de 100 a 200 casos por 100.000 habitantes. Sua incidência e prevalência aumentam com a idade. Do ponto de vista patológico, a DP é uma doença degenerativa cujas alterações motoras decorrem principalmente da morte de neurônios dopaminérgicos da substância nigra. Suas principais manifestações motoras incluem tremor de repouso, bradicinesia, rigidez com roda denteada e anormalidades posturais. No entanto, as alterações não são restritas à substância nigra e podem estar presentes em outros núcleos do tronco cerebral (por exemplo, núcleo motor dorsal do vago), no córtex cerebral e mesmo em neurônios periféricos, como os do plexo mioentérico. A presença de processo degenerativo além do sistema nigroestriatal pode explicar uma série de sintomas e sinais não motores, tais como alterações do olfato, distúrbios do sono, hipotensão postural, constipação, mudanças emocionais, depressão, ansiedade, sintomas psicóticos, prejuízos cognitivos, demência, entre outros.