O Instituto de Neurologia de Goiânia (ING) é um hospital de especialidades e, dentro de sua complexidade, encontra-se a Sala de Monitorização Vídeo/EEG Frederick Andermann, que realiza exames à população com epilepsia de todo o território brasileiro e também contempla atendimentos em parceira com o Sistema Único de Saúde.

A monitorização Vídeo/EEG consiste na obtenção de um traçado eletroencefalográfico das atividades cerebrais, com registros simultâneos das crises e do vídeo, que registra o comportamento apresentado pelos pacientes durante eventos desencadeados nas crises. As indicações principais são: esclarecer o diagnóstico diferencial entre crises epilépticas e não epilépticas, ajuste adequado das drogas antiepilépticas, definir a localização e extensão do foco epiléptico e também para avaliar a possibilidade de tratamento cirúrgico.

A sala de monitorização Vídeo/EEG do ING é composta por 5 leitos de internações para investigações de crises. O registro é realizado de forma contínua e sistematizado. Durante o período de internação para registro/ avaliação das crises, os pacientes recebem os cuidados de um grupo multiprofissional composto pelas equipes médica, de enfermagem, técnicas de Vídeo/EEG, assistente social, nutrição, neuropsicóloga, incluindo outros profissionais que se fizerem necessários.

A atuação da Enfermagem na sala de Vídeo/EEG proporciona sistematizar a assistência de enfermagem, avaliar os fatores de riscos, elaborar, executar e gerenciar o plano de cuidados individualizado e humanizado para o paciente em monitorização. Na admissão é realizada uma completa anamnese do paciente, para sua orientação e do acompanhante acerca da rotina da instituição, da sala de Vídeo/EEG, das particularidades do exame e dos profissionais envolvidos na investigação.

É rotina da enfermagem visitar, evoluir e prescrever diariamente os pacientes, administrar medicamentos conforme prescrição médica, aferir sinais vitais, orientar e auxiliar a higiene corporal, assegurar acesso venoso periférico quando houver necessidade, posicionar grades adequadamente prevenindo quedas, proteger grades laterais dos leitos a fim de evitar traumas/ lesões durante as crises, entre outros cuidados.

Durante a crise epiléptica, a presença da Enfermagem é imprescindível, permanecendo ao lado do paciente, para retirar objetos que ofereçam riscos, para avaliar a permeabilidade das vias aéreas, garantindo ventilação respiratória adequada, ofertando oxigenoterapia quando necessária, para avaliar nível de consciência e responsividade, identificando e intervindo no Estado de Mal Epiléptico,

Após as crises é relevante avaliar o padrão respiratório, a necessidade de aspiração, o nível de consciência, a presença de agitação psicomotora e/ou confusão mental, para que a intervenção seja feita o mais breve possível.

Vale ressaltar que a epilepsia não é uma doença contagiosa. Diante de uma situação em que se presencia uma crise, é importante sempre permanecer próximo a pessoa, coloca-la lateralizada, isto é, de lado se possível, manter a calma, oferecer apoio, conforto para evitar traumas e observar até que a pessoa volte ao seu estado normal de consciência. Caso a crise se estenda por mais de 3 minutos, ou a pessoa não retorne ao estado normal de consciência, é importante chamar o médico neurologista de plantão sempre disponível no ING. É importante lembrar que durante a crise jamais devemos introduzir objetos ou o dedo na boca da pessoa o que pode provocar acidentes ou lesões.

Por Wendellita Hilário Batista

Especialista em Saúde Mental e Dependência Química.