A fibromialgia é uma síndrome clínica caracterizada por dor crônica e difusa com associação a distúrbios do sono, fadiga, distúrbios cognitivos e psiquiátricos, dentre eles transtornos depressivo e de ansiedade.

Apresenta uma prevalência variável, sendo nos Estados Unidos e Europa, em torno de 5% da população geral e no Brasil, em torno de 2,5%.

Foi descrita pelo primeira vez em 1976, mas somente foi considerada uma síndrome clínica, após publicação do trabalho de Yunus e colaboradores, em 1981.

O diagnóstico na prática clínica é desafiador e deve ser realizado por um profissional capacitado já que não há nenhum marcador clínico ou laboratorial que a defina, portanto, seu diagnóstico é clínico, baseado em critérios diagnósticos definidos pelo Colégio Americano de Reumatologia. Critérios estes que vem sendo modificados ao longo dos anos, em 1990, posteriormente em 2010, 2011 e por fim, revisados em 2016; e incluem dor difusa, distúrbios do sono, cognitivos, fadiga e sintomas somáticos.

Exames complementares são sempre normais, mas devem ser realizados a critério do neurologista, para excluir doenças que promovam quadro clínico semelhante.

Os critérios clínicos mais recentes dividem o corpo em 5 regiões e a pessoa deve sentir dor em 4 ou todas as regiões. Pontos dolorosos à palpação também fazem parte do quadro clínico.

A fisiopatologia da fibromialgia ainda não é esclarecida; mas, até o momento o principal mecanismo fisiopatológico definido é a alteração das vias centrais de dor e, sabe-se ainda que condições emocionais podem desencadear e até mesmo, piorar os sintomas.

É reconhecido que há uma neuroinflamação e desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pelo produção hormonal de cortisol, hormônio esse aumentado frente ao stress. Diversos estudos estão sendo realizados demonstrando o papel da imunidade inata (primeira linha de defesa do organismo, frente a uma agressão) e adaptativa (linha de defesa secundária que é adquirida por contato prévio com agressores por infecções prévias ou por vacinas, por exemplo) na etiologia da fibromialgia.

Apesar da alta prevalência da doença, existem hoje, somente três medicamentos aprovados pelo FDA, órgão americano responsável pela aprovação de medicamentos; e, dentre estes, somente dois estão disponíveis no mercado brasileiro. Outras opções terapêuticas também são utilizadas como auxiliar no tratamento da dor crônica, assim como nos sintomas associados a ela, com níveis variados de evidência científica de acordo com sua eficácia.

Estão surgindo novas perspectivas terapêuticas com medicamentos, não somente para alívio dos sintomas, mas que agem também na etiologia da doença.

Dra. Aline Leite Duarte

Neurologista do ING