Desde quando se recebe o diagnóstico de epilepsia, o desejo dos pacientes é universal: ficar livre de crises. Felizmente sabe-se que com o tratamento adequado, acima de 70% dos pacientes ficam livres de crise e apenas um número baixo de pessoas evoluem com epilepsias de difícil controle.

A escolha do medicamento ou fármaco adequado deve ser individualizada e envolve uma série de fatores: o perfil do paciente, idade, sexo, idade fértil, a presença de comorbidades ou não, o tipo de epilepsia, se está em uso de outro medicamento, por exemplo.

O fármaco ideal é aquele que mantém o paciente bem controlado, sem efeitos colaterais, com pouca ou nenhuma interação com outras medicações, que seja de fácil tomada e baixo custo.

Contemplar todos esses requisitos na escolha do tratamento nem sempre é uma decisão fácil a ser cumprida pelo neurologista. Muitas vezes deve-se  experimentar  medicamentos até encontrar aquele com que melhor se adapte.

A história da busca por fármacos antiepilépticos  começa no fim do século XIX. As primeiras drogas foram inicialmente descobertas ao acaso, quando cientistas eventualmente pesquisavam medicamentos para outros fins. Uma característica comum desse período é a de medicamentos eficazes, porém altamente sedativos, causando sonolência importante. São chamados fármacos de primeira geração como o Fenobarbital. Na terceira década do século XX surgiu a primeira droga testada para epilepsia, a Fenitoina.

Depois de 1960 foram lançados os produtos da segunda geração representados pela Carbamazepina, e Valproato, que revolucionaram o tratamento das epilepsias crônicas e também os benzodiazepínicos, como o Diazepam, eficazes no tratamento das crises agudas de epilepsia. Nos anos seguintes surgiram os derivados Oxcarbazepina e Divalproato.

Em 1980, foram lançados a Gabapentina, Lamotrigina e Topiramato, drogas com estruturas químicas bem diferentes daquelas das primeiras gerações, com menos efeitos colaterais e interação.

O que se presencia nos dias atuais é a chamada quarta geração: o desenvolvimento de fármacos a partir de moléculas já conhecidas e com base no conhecimento fisiopatogênico das epilepsias. São exemplos o Levetiracetam e Lacosamida.

Estes medicamentos podem ter mecanismos de ação semelhantes ou não e, se atuam de modo diferente, podem ser associados com vantagem na eficácia.

A procura no meio científico internacional por drogas seguras e eficazes continua, visando o melhor controle de crises e qualidade de vida dos pacientes.

Vale lembrar que quanto mais precoce o tratamento e com a utilização do fármaco mais adequado para cada tipo de epilepsia, maiores são as chances de sucesso do tratamento.

Dra. Louise Lobo-Lopes

Neurologista CRM GO 20.079