Todos os anos, 15 milhões de pessoas no mundo são afetadas pelo acidente vascular cerebral, 6 milhões morrem e pelo menos 5 ficam com sequelas permanentes.

O AVC, conhecido como derrame cerebral, é uma doença grave, a terceira causa de morte no mundo (a primeira no Brasil) e a principal causa de invalidez.

A manifestação do AVC é aguda, de uma hora para outra, “de repente” e o tratamento tem que ser feito de imediato e, mesmo assim, o resultado pode não ser satisfatório.

Entretanto as condições que levam a pessoa a ter um AVC costumam estar presentes por muito tempo antes de instalação. Ou seja, existem fatores ou condições que levam ao risco da pessoa ter o AVC. São os chamados “ fatores de risco”. Se a pessoa tem um fator já eleva o risco e se tiver mais de um, o perigo aumenta.

Está bem estabelecido que o controle destes fatores, diminui o risco de AVC. A máxima continua válida: PREVENIR É MELHOR QUE REMEDIAR.

Como o AVC é uma doença vascular, ou seja, ocorre por alteração nas artérias que conduzem o sangue, a prevenção é útil para as doenças vasculares de qualquer parte do corpo. Por exemplo, o coração recebe sangue para nutrir suas paredes através das artérias coronárias: se elas entopem faltará sangue e isto é a causa do INFARTO DO MIOCÁRDIO.

Se uma artéria que leva sangue ao cérebro entope, faltará sangue numa parte do cérebro (isquemia) e provocará um INFARTO CEREBRAL que é o AVC.

Portanto, infarto do miocárdio e AVC são doenças vasculares e tem as mesmas causas e os mesmos fatores de risco.

Ao se combater os fatores de risco, estará prevenindo o AVC, o infarto do miocárdio e doenças vasculares de outros órgãos também.

Um levantamento colossal foi publicado há poucos meses numa revista de neurologia, The Lancet Neurology (agosto de 2016). O estudo chama-se “Global burden of stroke and risk factors in 188 countries during 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study (GBDS) 2013”.

O trabalho compreende um levantamento dos fatores de risco de AVC em 188 países, incluindo o Brasil. Foram avaliados 17 possíveis fatores de risco modificáveis, relacionados a estilo de vida, fatores ocupacionais, fatores ambientais e condições metabólicas.

Estes fatores direta ou indiretamente, contribuem, isolada ou associadamente, para aumentar o número de casos de AVC. Estes fatores estão presentes na grande maioria dos casos e conclui-se que se estiverem bem controlados diminuirão os AVCs.

Torna-se portanto fundamental que cada pessoa se cuide particularmente e que o Estado e a sociedade estabeleçam metas para combate aos fatores de risco para proteger a população do AVC.

O GBDS demonstrou que os fatores de risco podem variar por região, dependendo das características econômica e cultural de cada povo e de seus hábitos. Entretanto alguns são comuns a todos, como a HIPERTENSÃO ARTERIAL que é o mais importante em qualquer lugar ou situação.

Outros fatores relacionados a maior quantidade de AVC são: dieta, alto índice de massa corporal, tabagismo, diabetes mellitus, sedentarismo, insuficiência renal, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas (refrigerantes), aumento do colesterol, poluição ambiental ou doméstica.

A dieta tem muita influência principalmente se tiver alto conteúdo de sal e se for pobre em vegetais, frutas e grãos integrais.

A poluição ambiental foi pela primeira vez incriminada. Pode estar associada em até 30% dos AVCs, o que torna o seu papel alarmante. A poluição doméstica ocorre em algumas regiões onde, por exemplo se utilizar fogão a lenha ou carvão.

A hipertensão arterial e os hábitos de vidas podem são responsáveis por 90% do risco do AVC. Considerando que é uma das principais causas de morte no mundo, a prevenção primária precisa avançar muito, com trabalhos de educacionais e de conscientização.