O sangue, impulsionado pelo coração, chega ao cérebro através de artérias (sangue arterial) que vão se dividindo como galhos de árvores em ramos cada vez mais finos até os microscópicos capilares. Ai o sangue que já oxigenou forneceu glicose e nutrientes ao cérebro (sangue venoso), passa às vênulas, dai às veias e estas drenam para vasos maiores os seios venosos. Estes seios levam o sangue para fora do cérebro desembocando nas veias jugulares e outras, que voltam o sangue ao coração. As veias e os seios venosos podem ser comprometidos por doenças de diversos tipos, o que pode levar a obstrução (TROMBOSE VENOSA CEREBRAL – TVC).

O fluxo de sangue venoso fica interrompido levando a dilatação de seios e veias. Assim, o sangue parado provoca inchaço no cérebro e aumenta o volume, elevando a pressão dentro do crânio. As veias e seios tem paredes frágeis que podem romper e promover sangramento no cérebro ( hemorragia cerebral).

É um tipo de AVC menos comum, mas a incidência está aumentando nos tempos atuais. Um problema sério é que acontece em pessoas mais jovens (78% abaixo de 50 anos) que os outros tipos de AVC, predomina em mulheres e tem relação com hormônios.

A manifestação principal é dor de cabeça forte, constante e progressiva (75 a 95% dos casos), que duram dias a semanas antes de surgirem outros sintomas. Convulsões ocorrem em 40 a 60%. Depois aparecem sinais neurológicos como fraqueza de um membro ou dos dois do mesmo lado, dificuldade em falar ou compreender e até rebaixamento de consciência.

Várias causas podem promover TVC sendo as mais comuns infecções em estruturas próximas (otite, sinusite e dentárias), pós-cirurgia craniana e chama-se a atenção para a associação com uso de anticoncepcionais e durante a gestação e no puerpério. Algumas vezes a causa é um distúrbio da coagulação do sangue (trombofilia). O diagnóstico é confirmado pela neuro-imagem especialmente a angio-ressonância cerebral que demonstra claramente a veia ou o seio obstruído. Existe tratamento eficaz para a maioria dos casos, ressaltando-se que quanto mais precoce, melhor.

Por Dr. Sebastião Eurico de Melo Souza