Vacinas Covid-19 disponíveis no Brasil.

 

Coronavac – Butantan

Sobre a vacina CoronaVac aprovada para uso emergencial no Brasil em 17/01/21. Produzida pelo Instituto Butantan, mas foi criada pelo o laboratório chinês Sinovac/BionTech. Primeira vacina a ser aplicada no Brasil, a plataforma da vacina é de vírus inativado – uma técnica bem comum em outros tipos de vacinas (gripe, poliomielite e meningite, por exemplo).

Atualmente, essa vacina é recomendada para maiores de 18 anos e deve ser administrada em esquema de duas doses, com intervalo de duas a quatro semanas entre as doses. Sua eficácia total foi de 50,39%, com base nos estudos realizados, e o Brasil participou dos estudos fase III. O número que parece baixo, à princípio, é muito animador, quando detalhado os desfechos secundários de eficácia. O Butantan revelou que a CoronaVac teve 78% de eficácia na prevenção de casos leves e 100% para evitar quadros moderados e graves (hospitalizações). É uma vacina bastante segura e o efeito colateral mais comum foi dor no local de aplicação, e não houve no estudo nenhuma reação grave.

Em um estudo prático, realizado na cidade de Serrana (SP) depois de vacinar 75% dos moradores (quase 28 mil adultos imunizados), os casos sintomáticos da doença reduziram 80%; as internações, 86%; e as mortes, 95%. Inclusive, no início do mês de junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou o uso emergencial da CoronaVac com esquema igual ao utilizado no Brasil.

Um grupo de estudos Vaccine Effectiveness in Brazil Against COVID-19 (Vebra Covid-19) com o apoio da OMS e da OPAS recentemente publicou um resultado prelimitar de efetividade da Coronavac de 42% para idoso com mais de 70 anos e 28% com mais 80 anos. Portanto, num futuro próximo possa ser necessário uma terceira dose ou uma dose com outro tipo de vacina para este grupo etário.

Um estudo no Chile, publicado no NEJM em 07/07/21, demonstrou que a Coronavac preveniu 65% de casos leves, 87% de redução de hospitalização, 90% de redução de internação em UTI e 87% redução de óbitos.

Estão em andamento estudos para uso em crianças.

 

 

Covishield – Oxford-AstraZeneca

Com tecnologia biomolecular de “vetor viral”, a vacina Oxford-AstraZeneca também conhecida como Covishield foi a segunda vacina a ser liberada pela ANVISA em 17/01/21, para uso emergencial, e, no Brasil, é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro (RJ). O Brasil participou dos estudos de Fase III.

A Oxford-AstraZeneca utiliza uma plataforma de vetor viral (um Adenovírus recombinante de Chimpanzé) que carreia a glicoproteína S (Spike) codificada – aquela em forma de coroa. Assim, após a receber a vacina esta glicoproteína S é expressa localmente e estimula uma resposta imune humoral e celular. É um mecanismo mais novo de vacinas, mas por utilizar partículas virais não há riscos de causar infecção.

A eficácia geral da AstraZeneca (AZ) foi de 70,42% (média entre 54,84% e 80,63%) com duas doses com intervalo de 28 dias. Alguns países, incluindo o Brasil, o intervalo entre as doses foi prolongado para 3 meses como uma estratégia de saúde pública para imunizar mais rápido mais pessoas com uma dose, pois dados científicos mostram proteção em torno de 70% após a primeira dose.

Indicada para pessoas maiores de 18 anos – exceto mulheres grávidas e puérperas. Essa decisão foi adotada como medida preventiva em 10/05/21, após a notificação de um evento adverso de Síndrome de Trombose com Trombocitopenia (TTS), no RJ, provavelmente ligado à vacina. Vale ressaltar que se trata de uma síndrome extremamente rara, com incidência de um caso a cada 100.000 doses administradas da vacina. Em contrapartida, no Brasil, entre 1º de janeiro e 10 de maio de 2021, foram registrados 257 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave, com 19 óbitos confirmados por Covid-19, por 100.000 gestantes.

Também é contra indicada a segunda dose em indivíduos que após a primeira dose as AZ apresentaram episódio de trombose arterial ou venosa maior, associado à plaquetopenia, nota técnica n 441/2021 de 27/04/21.

Apesar de estudos não confirmarem a periculosidade e, considerando outras opções de vacinas que não utilizam a tecnologia de vetor viral, o Ministério da Saúde suspendeu a imunização de grávidas e puérperas com a vacina da AZ, recomendando que a faça 45 dias após o parto. Em Goiás, a SES-GO emitiu Nota Técnica no último dia 14, autorizando o uso das vacinas Pfizer ou CoronaVac para complementação vacinal desse público, se já havia tomado a 1ª dose da AZ.

 

 

Cominarty – Pfizer/ BioNTech

A primeira vacina contra a COVID-19 a ser aprovada para uso emergencial pela OMS, em 31/012/20, foi desenvolvida pela parceria entre dois laboratórios, Pfizer e BioNTech. O Brasil participou dos estudos fase III dessa vacina.

A Vacina Cominarty utiliza uma tecnologia revolucionária na produção de vacinas que é baseada no RNA mensageiro (mNRA) e não de vírus atenuado. Ela carrega o código genético do vírus e leva instruções, como se entregasse uma receita, para que nosso corpo passe a ser capaz de produzir anticorpos contra a substância que ela introduziu no organismo. No caso da Covid-19, proteínas encontradas na superfície do vírus SARS-CoV-2.

Como uma máquina perfeita, a molécula não contém outra informação, não é capaz de realizar qualquer outra tarefa e não penetra no núcleo de nossas células. Dessa forma, não consegue causar a COVID-19 ou qualquer alteração em nosso genoma. Inclusive, o mRNA sequer entra em contato com o material genético do homem.

Esta vacina pode ser desenvolvida e fabricada mais rapidamente do que as vacinas tradicionais. A tecnologia de mRNA pode ainda ser estratégica para cenários de pandemias e epidemias devido à agilidade em modificação do antígeno codificado caso necessário.

A vacina pode ser armazenada em temperaturas entre -90º C a -60º C por até 6 meses. Para possibilitar o transporte aos diferentes países, ela vem em uma embalagem que permite seu acondicionamento por até 30 dias, com auxílio de gelo seco. Em refrigerador comum, entre 2º C e 8º C, a vacina pode ser usada em até 30 dias.

A Pfizer-BioNTech tem eficácia global de 95% com um esquema vacinal de duas doses, com intervalo de 21 dias entre elas. Por estratégia de saúde pública, com autorização dos fabricantes e apoio de sociedades de classe, o governo brasileiro determinou que o intervalo entre a dose 1 e a dose 2 fosse de três meses. Pois assim, se consegue imunizar ao menos com uma dose da vacina um número maior de pessoas. Esse imunizante é indicado para pessoas acima de 12 anos e foi aprovado para uso em território brasileiro, pela ANVISA, em 23 de fevereiro de 2021 – fazendo com que ela fosse o terceiro imunizante utilizado no País.

A vacina está liberada para imunizar gestantes. Quanto aos jovens de 12 a 15 anos, no dia 11/06/21, a Anvisa aprovou seu uso, mas ainda não há previsão de imunizar a faixa etária de 12 a 18 ano no nosso país.

 

Vacina Janssen

Em 31/03/2021, a ANVISA autorizou o uso emergencial da vacina Janssen/Johnson & Johnson – 4ª vacina em uso no país. Diferente das demais, ela tem aplicação em dose única e apresenta eficácia geral de 66,9% contra casos moderado a grave e de 81,7% em casos graves para a todas as regiões estudadas, ambas a eficácia após 28 dias da imunização. O imunizante é indicado para pessoas acima de 18 anos e o Brasil participou da fase III de estudos clínicos.

Assim vacina Janssen utiliza tecnologia biomolecular de vetor viral (usa o Adenovírus 26 como vetor) para estimular a imunização contra o vírus causador da Covid-19. Isso quer dizer que os pesquisadores inserem o gene que codifica a produção de proteína S com as nossas células em outro vírus – modificado e enfraquecido, sendo assim, incapaz de causar qualquer doença ao ser humano ou de modificar nosso genoma. Ao ser aplicado, por meio da vacina, esse vírus leva informações ao nosso sistema imunológico, que passa a fabricar defesa humoral e celular contra a glicoproteína S do SARS-CoV-2.

Esta liberada a partir de 18 anos e esta contra indicada para gestantes e púerperas no Brasil, pois houve raros casos de eventos adversos com formação de trombo e plaquetopenia, o mesmo que ocorreu com a vacina Oxford/AstraZeneca (volte dois posts), pois as duas tem a mesma plataforma de vetor viral não replicante. Uma possível explicação deste fenômeno seria uma resposta imunológica semelhante ao quadro conhecido como HIT (trombocitopenia induzida pela heparina). O perfil de risco-benefício da vacina ainda é favorável, mas diversos países da Europa passaram a não recomendar esta vacina para mulheres abaixo de 55 ou 60 anos, dependendo do país.  A situação está sendo monitorada no mundo todo.

Dessa forma, enquanto a imunização se manter ativa, o sistema imunológico da pessoa vacinada será capaz de neutralizar o agente causador da Covid-19. Quanto tempo dura essa proteção? Ainda não sabemos, pois os estudos ainda acompanham as primeiras pessoas imunizadas, a fim de fornecer essa resposta. Enquanto isso, reforço para que todos se vacinem, assim que a oportunidade chegar, e continuem com as medidas de proteção contra a doença. Assim, evitaremos o aparecimento de novas variantes e sairemos desse estado pandêmico o mais breve possível.

 

Vacinas Covid-19 não disponíveis no Brasil.

 

COVAXIN – Bharat Biontec

A vacina Covaxin foi desenvolvida na Índia pela empresa farmacêutica Bharat Biontec e liberada para uso emergencial em 03/01/21 na Índia. Seu mecanismo de ação o vírus inativado, plataforma muito utilizada por várias vacinas e a mesma da Coronavac.

O Brasil não participou dos estudos fases III. É indicada com duas doses com intervalo de 28 dias.

Durante testes clínicos de fase III, a Covaxin demonstrou 77,8% de eficácia geral contra a Covid-19. Quando consideradas apenas infecções graves, essa porcentagem subiu para 93,4%% de efetividade. Além disso, o imunizante demonstrou eficácia de 65,2% contra a variante Delta  B.1.617.2. Esses resultados foram publicados, ainda sem revisão dos pares, na plataforma MedRxiv em 2.jul.2021, como preprint. Assim, estes dados ainda não são confiáveis do ponto de vista científico.

No início desse ano a Associação Brasileira das Clínicas de Vacina tentou negociar a compra da Covaxin para rede privada, mas não foi possível pois a Anvisa não liberou seu uso emergencial por falta de dados. Mas a Anvisa fez em março uma inspeção local no laboratório e solicitou uma lista de documentos necessários para sua aprovação.

Em nota, no dia 27/07/2021, a Anvisa suspendeu cautelarmente a autorização excepcional e temporária para importação e distribuição da vacina Covaxin.

A decisão foi tomada após ter sido comunicada pela empresa indiana Bharat Biotech que a Precisa Medicamentos não possui mais autorização para representar a Bharat, fabricante da vacina Covaxin no Brasil. Assim, ela não está liberada no Brasil.

A Covaxin está no centro da apuração da CPI da Covid por um suposto esquema fraudulento de compra de vacinas.

 

 

SPUTNIK V – Gamaleya

Produzido pela farmacêutica Gamaleya a Vacina Sputnik V utiliza a plataforma de vetor viral com dois tipos de adenovetor – Adenovírus 26 e Adenovírus 5, semelhante as Vacinas da Oxford/BioNThec e da Jansen. A vacina Sputnik V contra o SARS-CoV-2 foi a primeira do mundo a ser registada, em agosto de 2020. Aprovada para uso emergencial, vem sendo utilizada na campanha de vacinação na Rússia desde 2020.  Mas só em Fevereiro de 2021 o estudo fase III foi publicado na revista Lancet. Atualmente já foi aprovado para uso em 69 países, dentre eles Argentina, Venezuela, Panamá, México, Paraguai etc

A sua eficácia contra a COVID-16 é de 91,6% com duas doses com intervalo de 21 dias entre elas., a partir de 18 anos. O Brasil não participou dos estudos fase III desta vacina.

Um estudo publicado na revista científica Vaccine em 12/07/21 demonstrou que a vacina Sputnik V possui boa performance contra as variantes do coronavírus. Os dados indicam que não há mudanças significativas na atuação do imunizante para as variantes. Contra as variantes Beta (identificada na África do Sul), Gamma (a brasileira P1) e Delta (da Índia) teve relativa queda da eficácia, mas “menor do que as reportadas por outras vacinas”.

No início do ano a farmacêutica União Química protocolou o pedido de uso emergencial para o Brasil, porém a ANVISA restitui o pedido ao laboratório. Mas em 4 de junho a Anvisa autorizou a importação controlada da Sputnik V, com uma série de restrições. A agência impôs cerca de 28 condicionantes para a vacina desembarcar no Brasil, entre elas a assinatura do Termo de Compromisso.

A agência também recomendou que a vacina deverá ser utilizada apenas na imunização de indivíduos adultos saudáveis e não recomendou a aplicação do imunizante russo em grávidas, pessoas com doenças não controladas, com HIV e com histórico de anafilaxia pós-vacinação.  Ao todo, dezessete Estados brasileiros negociaram a compra de 37 milhões de doses da vacina russa. A previsão é que as primeiras doses da Sputnik V cheguem ao país no dia 28 de julho.

A estratégia de introdução de diferentes vacinas e a imunização em massa é o caminho para combater a pandemia.

 

 

MODERNA

A Vacina Moderna, desenvolvida pelo laboratório que leva o mesmo nome da vacina foi a segunda a ser aprovdada para uso emergencial nos Estados Unidos. Em 30/04/21 a OMS concedeu a autorização do uso emergencial deste imunizante.

A plataforma utilizada é a mesma da vacina Pfizer-BioNThec, que usa de RNA mensageiro (RNAm), que mimetiza a proteína spike —específica do vírus Sars-CoV-2— que o auxilia a invadir as células humanas. Porém, essa “cópia” não é nociva como o vírus, mas é suficiente para desencadear uma reação das células do sistema imunológico, que cria uma defesa robusta no organismo.

Sua eficácia global é de 94,1% na prevenção da doença após as duas doses com intervalo de 28 dias. Pode ser aplicada a partir de 18 anos e em gestantes e puérperas.

A empresa de biotecnologia americana Moderna já anunciou em maio um comunicado oficial que a sua vacina contra a Covid-19 teve eficácia de 96%  em adolescentes de 12 a 17 anos e aguarda aprovação do FDA (Food and Droug Administration) para utilizar nesta faixa etária. A Moderna também iniciou os testes de sua vacina em crianças entre 6 meses e 11 anos em março.

Em um estudo canadense, ainda em preprint, a vacina Moderna teve efetividade de 96% para variante delta (indiana). Para as variantes Beta e Gama (analisadas em conjunto), a efetividade para hospitalização ou morte foi 89% com este imunizante. Aguardamos por mais estudos robustos sobre as vacinas e sua proteção contra as variantes.

A vacina Moderna não realizou testes no Brasil. Já aprovada e utilizada na União Europeia, nos Estados Unidos e em outros países, no Brasil segue em negociação.

 

Por Dra. Mariana Tassara – Infectologista ING.

CRM 10934 GO – RQE 6600